Crítica XXI

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Portugal é há quase meio século governado pelas esquerdas. Se estendermos a ideia de poder ao campo cultural, podemos dizer que esse domínio é até anterior à Revolução e permanece mesmo quando as direitas governam. 

Disto não resulta apenas que as direitas e o seu pensamento sejam mal conhecidos; resulta uma atmosfera cultural e mediática acomodada e maniqueísta sem espaço para a interrogação crítica. 

Crítica XXI quer dar a conhecer a tradição intelectual das direitas e os seus desenvolvimentos actuais, olhando para valores, ideias e princípios com liberdade incondicional.

Biblioteca Crítica Fundamental

Biblioteca Crítica Fundamental

Quatro obras decisivas para a compreensão do nosso tempo de uma perspectiva de Direita, escolhidas e editadas pela Biblioteca Crítica Fundamental.

Bibliteca Crítica Fundamental

1ª Série

Discurso Sobre a Ditadura

Título Discurso sobre a Ditadura e Correspondência com o Conde de Montalembert
Autor Juan Donoso Cortés
Título original Discurso pronunciado por el excmo. Sr. D. Juan Donoso Cortés, marqués de Valdegamas, en la sesión de 4 del corriente, en el Congreso de Diputados.
Tradução José Luís Andrade
Editor Crítica XXI
Composição Matilde Everard Amaral
Capa Sardine & Carbone
Impressão VASP dps
Novembro 2023

Discurso sobre a Ditadura

Juan Donoso Cortés

 

Neste volume da Biblioteca Crítica Fundamental publicamos dois textos de Juan Donoso Cortés, com tradução e notas de José Luís Andrade: o que ficou conhecido como Discurso sobre a Ditadura e alguma da sua correspondência com o conde de Montalembert.

O Discurso sobre a Ditadura pertence àquele número de peças de oratória de circunstância que, mercê do tema, do modo e da substância, se tornam textos de antologia e doutrina. A correspondência com Montalembert publicada é uma explicitação das ideias de Donoso Cortés.

Apesar da sua curta vida, entre a invasão e ocupação napoleónicas e a tumultuosa política da Espanha isabelina, Juan Donoso Cortés (1809-1853), marquês de Valdegamas, é uma personagem muito interessante na galeria de pensadores e prosadores da Direita do século XIX.

Ensaio sobre o Princípio Gerador das Constituições Políticas

Título Ensaio sobre o Princípio Gerador das Constituições Políticas
Autor Joseph de Maistre
Título original Essai sur le principe générateur des constitutions politiques et des autres institutions humaines
Tradução Carlos Maria Bobone
Editor Crítica XXI
Composição Matilde Everard Amaral
Capa Sardine & Carbone
Impressão VASP dps
Julho 2023

Ensaio sobre o Princípio Gerador das Constituições Políticas

Joseph de Maistre

 

O Ensaio sobre o Princípio Gerador das Constituições Políticas é um pequeno livro, mas talvez um dos mais claros da obra de Joseph de Maistre. Escrito como um esclarecimento das Considerações sobre a França — publicadas anonimamente, pelo que várias vezes se verão no texto referências ao «autor das Considerações», como se de um desconhecido se tratasse — não têm o vigor polémico e aquela crueldade sintética com que De Maistre destruiu vários dos protagonistas da revolução mas, em contrapartida, explicam perfeitamente os contornos ideológicos do famoso ensaio e os seus grandes objectivos.

Aquilo que nas Considerações é dado através de exemplos, no Ensaio sobre o Princípio Gerador procura ser demonstrado pela lógica. Ora, é a partir deste texto que podemos afirmar com certeza as duas grandes preocupações políticas do diplomata da Sabóia. Em primeiro lugar, mostrar que aquilo que constitui uma nação não pode ser escrito, que não é do domínio das leis simples, mas de uma ordem completa, e que a própria escrita enfraquece e limita aquilo que constitui verdadeiramente um povo.

Em segundo lugar, De Maistre procura provar que a história tem uma força própria — a que ele chama Providência — e que é apenas uma ilusão humana julgar que se é capaz de criar leis cujos efeitos somos capazes de prever. É esta ilusão que faz da Revolução Francesa um erro colossal. Não se trata apenas de atentar contra o rei ou contra a história; trata-se de trazer para a política um princípio — o princípio de que o Homem é capaz de criar as suas próprias leis — que garante a incompreensão do funcionamento do mundo e que nos impede de perceber as sociedades.

A ironia de Joseph de Maistre, os seus paradoxos, a facilidade com que ataca alguns dos maiores pensadores modernos, mas também com que usa a patrística e a cultura antiga fazem deste, como aliás da maior parte das suas obras, um tratado que, além da importância filosófica e política, oferece uma riqueza estilística que o põe ao nível dos grandes prosadores da literatura europeia.

“Introdução”

Teologia Política: quatro capítulos sobre a doutrina da soberania (1922)

Título Teologia Política
Autor Carl Schmitt
Título original Politische Teologie: vier Kapitel zur Lehre von der Souveränitát
Tradução Alexandre Franco de Sá
Editor Crítica XXI
Composição Matilde Everard Amaral
Capa Sardine & Carbone
Impressão InPrintout
Março 2023

Teologia Política

Carl Schmitt

 

“Dificilmente se poderá exagerar a importância do pequeno texto agora publicado em nova tradução portuguesa. Surgida há cem anos, Teologia Política: quatro capítulos sobre a doutrina da soberania (1922) resultava de um escrito de homenagem a Max Weber que Carl Schmitt, jurista de 37 anos então professor na Universidade de Bona, resolvera ampliar e publicar de forma autónoma, acrescentando um último capítulo aos três do texto originário. No ambiente cultural alemão, Schmitt começara a tornar-se notado poucos anos antes, ao publicar dois livros de grande repercussão: Romantismo Político (1919) e A Ditadura (1921). Ambos mostravam uma visão muito crítica do liberalismo e do positivismo jurídico dominantes na República de Weimar, permitindo o seu alinhamento com a reacção antimoderna que caracterizava a então chamada Revolução Conservadora. Embora este movimento fosse muito rico e diversificado, e embora Schmitt não possa ser catalogado como representante de um movimento intelectual lado a lado com personalidades como Moelles van den Bruck ou Ernst Niekisch, apenas para citar dois nomes com perspectivas políticas muito diferentes ou mesmo opostas às de Schmitt, tal alinhamento valeu-lhe, desde muito cedo, a hostilidade de alguns intelectuais que, com orientação política divergente, vislumbravam o seu pensamento como particularmente perigoso”.

Alexandre Franco de Sá, “Introdução”

Biblioteca Crítica Fundamental - Hereges

Título Hereges
Autor G.K. Chesterton
Título original Heretics
Tradução Vasco Cordovil Cardoso
Editor Crítica XXI
Revisão de texto Duarte Branquinho
Composição Matilde Everard Amaral
Capa Sardine & Carbone
Impressão InPrintout
dezembro 2022

Hereges

G.K. Chesterton

“Nada mais estranhamente indica um enorme e silencioso mal da sociedade moderna do que o uso extraordinário que é feito hoje da palavra “ortodoxo”. Outrora, o herege tinha orgulho em não ser herege. Hereges eram os reinos deste mundo e a polícia e os juízes. Ele era ortodoxo. Ele não tinha qualquer orgulho no facto de se ter insurgido contra estes; tinham sido estes a insurgir-se contra ele. Os exércitos, com a sua segurança cruel, os reis, com os seus rostos frios, os decorosos processos de Estado, os razoáveis processos da lei — todos eram como ovelhas perdidas. O homem orgulhava-se de ser ortodoxo, orgulhava-se de estar certo. Mesmo sozinho num lugar inóspito era mais que um homem: era uma igreja. Era o centro do universo, era em seu redor que as estrelas giravam. Nem todas as torturas arrancadas a infernos esquecidos o fariam admitir que era herege. Mas algumas frases modernas têm-no feito gabar-se disso. Ele diz, com um riso deliberado, “Imagino que seja uma grande heresia…,” e olha à volta em busca de aplausos. A palavra “heresia” não só já não significa estar errado, como praticamente significa ser lúcido ou corajoso. A palavra “ortodoxia” não só já não significa estar certo, como praticamente significa estar errado. Tudo isto significa apenas uma coisa. Significa que as pessoas se preocupam menos com o facto estarem ou não filosoficamente certas. Porque obviamente um homem deve preferir confessar que é louco a admitir que é herege. O boémio, com a sua gravata vermelha, deve regozijar-se na sua ortodoxia. O bombista, ao largar a sua bomba, deve sentir que, independentemente do que seja para além disso, pelo menos, é ortodoxo.” G.K. Chesterton, Hereges